Nos primeiros dois meses de funcionamento no Hospital Nossa Senhora das Graças, o Ambulatório Pós-Covid de Canoas atendeu 148 pacientes que desenvolveram sequelas após contrair a doença. O serviço é destinado a casos de adultos que permanecem com sintomas ou apresentam complicações após infecção pelo coronavírus: tanto os que passaram por internação em UTIs ou leitos clínicos quanto pacientes encaminhados pelas unidades básicas de saúde (UBS) e que não chegaram a ser internados. São sequelas variadas, que exigem tratamentos com diferentes áreas de apoio dentro da saúde, e que agora podem ser acessados num único ambulatório, com assistência multidisciplinar.

Entre as primeiras avaliações com o clínico-geral e os encaminhamentos a especialistas – pneumologista, cardiologista e neurologista –, foram realizadas 249 consultas, além de 175 sessões de fisioterapia e 1.050 exames – de laboratório, imagem e eletrocardiogramas –, somando mais de 1,4 mil atendimentos. Segundo o clínico Edinilson Lautenschlager, responsável pelo primeiro atendimento no serviço, a agilidade em começar o tratamento é crucial: “Muitos pacientes após a Covid-19 têm comprometimento na qualidade de vida e não conseguem retornar ao trabalho. A proposta do Ambulatório Pós-Covid é permitir que eles consigam logo ter um pouco mais de conforto e possam voltar a produzir. Quanto mais demora este atendimento, pior é a resposta”.

Sequelas além do sistema respiratório
As sequelas observadas nos pacientes pós-covid são muitas e envolvem vários órgãos. Incluem sintomas como fadiga, falta de ar, dores de cabeça, perda de olfato e paladar, palpitações, tromboses, dificuldades de raciocínio e problemas de memória. Podem envolver também manifestações psiquiátricas, como ansiedade e depressão. Por isso, a psiquiatria deverá ser a próxima especialidade a ser incluída no serviço.

Lisiele Corrales de Oliveira, 35 anos, não conseguia mais realizar suas tarefas como camareira, após ter 80% do pulmão comprometido pelo coronavírus e sofrer com tonturas e perda de memória. Hoje, faz acompanhamento com pneumologista, neurologista e fisioterapeuta. “Só tenho a agradecer pelo atendimento recebido no Graças, desde a internação até o Pós-Covid”, se emociona. Já o autônomo Jocemar Fernando Birch, 59 anos, teve Covid-19 em janeiro, e meses depois a fadiga extrema persistia. Em julho, começou a fisioterapia, com a expectativa de melhorar a “canseira nas pernas” e poder voltar a trabalhar.

“Mesmo quem não teve quadros tão severos pode vir a apresentar dificuldades, mas é possível melhorar o condicionamento físico e a capacidade respiratória”, explica o fisioterapeuta Márcio Laguna. O Ambulatório Pós-Covid atende pacientes encaminhados via SUS. Depois de passar por avaliação com o clínico-geral, eles são direcionados para consultas com especialistas e exames, conforme a necessidade de caso.

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