Fisioterapeuta Márcio Laguna entre pacientes que abandonaram dispositivos de locomoção graças ao tratamento: Gessi Hellwig deixou a cadeira de rodas e Lisiele de Oliveira, o andador

Fechando três meses de atendimento, o Ambulatório Pós-Covid mais que dobrou o número de atendimentos, chegando aos 3.139, entre consultas médicas, sessões terapêuticas e exames, prestados a 246 pacientes. O serviço pioneiro da rede pública de Canoas, foi inaugurado em 2 de junho de 2021 no Hospital Nossa Senhora das Graças, e presta assistência multidisciplinar a pacientes com sequelas após infecção pelo coronavírus. O Ambulatório havia fechado o segundo mês com 1,4 mil atendimentos e 148 pacientes.

Encaminhados via regulação do Sistema Único de Saúde, eles passam pelo clínico-geral responsável pelo serviço, Edinilson Lautenschlager, que pode encaminhá-los para médicos especialistas, terapias e/ou exames. O serviço conta com pneumologista, cardiologista, neurologista, fisioterapeuta, fonoaudióloga, exames de laboratório, radiologia, tomografia e eletrocardiograma.

“É o serviço público ajudando a melhorar a qualidade de vida desses pacientes. Pois as queixas mais comuns são fadiga crônica e falta de ar, que acarretam dificuldades para trabalhar, para fazer atividades diárias, especialmente para quem tem serviços mais braçais. Então, precisamos tentar recuperar ao máximo, mas também recuperar mais rápido, pois as pessoas querem garantir seu sustento. Nossa função com pacientes pós-Covid é essa: ajudar a voltar à vida social, produtivos e com qualidade de vida”, detalha Lautenschlager.

Sequelas além do sistema respiratório

As sequelas observadas nos pacientes que contraíram Covid-19 são muitas e envolvem vários órgãos. “Mesmo quem não teve quadros tão severos pode vir a apresentar dificuldades, mas é possível melhorar o condicionamento físico e a capacidade respiratória”, explica o fisioterapeuta Márcio Laguna.

Lisiele Corrales de Oliveira, 35 anos, não conseguia mais realizar suas tarefas como camareira, após ter 80% do pulmão comprometido pelo coronavírus e sofrer com tonturas e perda de memória. Hoje, faz acompanhamento com pneumologista, neurologista e fisioterapeuta, e nesta semana conseguiu abrir mão do andador para se locomover. “Só tenho a agradecer pelo atendimento recebido no Graças, desde a internação até o Pós-Covid”, se emociona.

Além de fadiga e falta de ar, são observadas dores de cabeça, perda de olfato e paladar, palpitações, tromboses, dificuldades de raciocínio e problemas de memória. Podem envolver também manifestações psiquiátricas, como ansiedade e depressão. E, inclusive, queda de cabelo. “É uma preocupação grande, principalmente entre as meninas. Às vezes acham que não tem ligação, mas é uma complicação muito frequente do pós-Covid, e digo que elas podem ficar tranquilas, porque melhora com o tempo”, alerta o clínico.

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