Hoje é o Dia Mundial Sem Tabaco, data criada pela Organização Mundial da Saúde para alertar sobre doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. O cirurgião torácico do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Rafael Mossmann, afirma que o alerta para os riscos do fumo é importante, pois 12,6% da população adulta no Brasil colocam em risco a própria saúde fumando. O tabaco, em qualquer uma de suas formas, causa 90% de todos os cânceres de pulmão e contribui de forma significativa para o desenvolvimento de câncer em outras regiões do organismo.

Mossmann afirma que além do pulmão, fumantes correm o risco de desenvolver câncer de cabeça, pescoço, esôfago, boca, orofaringe, leucemia, estômago e bexiga. “Sem entrar no mérito das doenças cardiovasculares que têm índices elevados de comprometimento”, acrescenta. O cirurgião ressalta que a taxa de dependência de nicotina é de 32%. Este índice é maior do que o dobro da taxa de dependência por álcool (15%) e mais alto do que o índice relacionado à heroína (23%) e à cocaína (17%). Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O tabaco possui uma quantidade de substâncias cancerígenas que vão bem além da nicotina e do alcatrão. Segundo o médico, são mais de cem substâncias que podem induzir à mutação, ou seja, à alteração da cadeira de reprodução celular, que é o que acaba levando ao surgimento de câncer. “As mulheres em idade fértil, que fumam e fazem uso de anticoncepcional, têm índice absurdamente alto de desenvolver trombose e acidentes vasculares em geral”, complementa.

TRATAMENTO – Atualmente, o tratamento para o tabagismo está baseado em três pilares. Médicos indicam que o paciente faça reposição de nicotina por meio de adesivos transdérmicos, use medicamento antidepressivo e frequente um grupo de apoio. “O cigarro está sempre presente. Há todo um preâmbulo que torna a pessoa escrava do vício, porque fumar está associado à ingestão de café, às refeições, ao fim da jornada de trabalho. Tem um aspecto comportamental”, diz.

O cirurgião lembra que o cigarro é a única droga legalizada no Brasil, que vicia como qualquer outra droga que causa dependência. Referindo-se novamente aos dados do Inca, Mossmann destaca que, diariamente, 443 brasileiros morrem por causa do tabagismo e que os danos produzidos pelo cigarro impactam no sistema de saúde e na economia, gerando um custo de R$125.148 bilhões por ano. E lembra que mais de 160 mil mortes anuais poderiam ser evitadas.

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